sábado, 28 de maio de 2011

A Noviça Rebelde

 Título Original: The Sound of Music
 Ano: 1965
 Produção: EUA
 Idioma: Inglês
 Direção: Robert Wise
 Produção Musical: R. Rodgers e O. Hammerstein
 Elenco: Julie Andrews, Chistopher Plummer, Eleanor Parker, Richard Haydn, Peggy Wood
 Duração: 174 minutos

 "O maior musical de todos os tempos" e "Um dos melhores filmes de todos os tempos" são citações comuns de se encontrar, facilmente, sobre esta obra prima. Não há nenhuma lista de melhores filmes em que ele não esteja entre os 10 primeiros e não há nenhuma lista de melhores musicais em que ele não se encontre entre os 3 primeiros e muito frequentemente em primeiro lugar. Já começa por aí. Vou resumir a história para poder falar do filme.

Maria (Julie Andrews) cresceu sem família, nas ruas de Salzburgo (Áustria). Sendo abrigada por um convento de freiras, seu desejo de se tornar postulante e, consequentemente freira, aumentou. Maria é diferente de todas as outras noviças, pois não tem atitudes de alguém que queira seguir essa vocação e, frequentemente, quebra muitas regras. A Madre Superiora (Peggy Wood), então a envia em uma missão: Ser governanta na mansão dos Von Trapp cuidando dos 7 filhos do Capitão Von Trapp (Christopher Plummer) que havia ficado viúvo há alguns anos.
Chegando lá, Maria descobre que a casa se tornou um quartel, o Capitão trata os filhos como soldados e deixa de passar o tempo necessário com elas. Maria ganha a confiança das crianças, que dizem que só aprontam travessuras absurdas para chamar a atenção de seu pai. Maria então quebra algumas regras do capitão e faz "roupas de brincar" para as crianças poderem sair de casa e curtir suas férias como crianças normais. Maria ensina diversas músicas para as crianças enquanto o Capitão está em viagem. Ao retornar, o Capitão fica bravíssimo com a atitude de Maria e a manda embora. Mas ao ouvir que os seus filhos estão cantando uma música ensaiada para receber uma de suas visitas, a Baronesa Schraeder (Eleanor Parker), o Capitão fica surpreso e emocionado, pedindo desculpa à Maria, dizendo-lhe que desde que a sua esposa havia morrido ele não ouvia "o som da música" que Maria tinha trazido de volta àquela casa. O Capitão pede então para que Maria fique.
O Capitão anuncia então que irá casar com a Baronesa. A Baronesa, muito sagaz e cruel, ao perceber os olhares e sentimentos ocultos de Maria e Von Trapp, faz com que Maria abandone seu emprego e volte ao convento.

As crianças ficam muito tristes e procuram Maria sem nenhum retorno. Passado algum tempo, a Madre Superiora procura Maria para saber
realmente o que aconteceu naquela casa. Maria confessa que se apaixonou pelo Capitão. A Madre então a aconselha a enfrentar seus problemas, seguir seu caminho, que mesmo que ela se case com o Capitão, ela não estará em dívida com Deus. Então, Maria volta para a Mansão (para alegria de todos, menos da Baronesa). O Capitão, então, percebendo seus verdadeiros sentimentos por Maria, rompe o seu noivado e se casa com Maria.
Acabou? Não. São tempos difíceis, onde Hitler está expandindo seu império, chegando à Áustria e dominando a maior parte de seu poder militar. O Capitão Von Trapp, mesmo sendo reformado, é chamado por Berlim para ocupar um posto no terceiro Reich. Como um bom e patriota austríaco, aceitar o pedido seria uma ofensa a si mesmo, a sua família e ao seu país. O Capitão e Maria decidem, então, fugir escondidos a noite com as crianças. Eles são interceptados por Herr Zeller, um militar alemão ao comando de Hitler.


A saída (e a sorte) então, é participar do Festival de Música de Salzburgo, onde um dos amigos do capitão, Max Detweiler (Richard Haydn), já havia os inscrito, mesmo contra a vontade do Capitão de fazer sua família cantar em público. O festival destrai os alemães enquanto, com uma brilhante idéia de Maria, eles usam uma de suas músicas para irem saindo do palco em poucos direto para o carro e então com a ajuda do convento e da Madre Superiora conseguirem realizar a fuga. O filme termina com a família cruzando a fronteira do país pelas montanhas.

Bom, pra começar, preciso expressar um sentimento geral sobre a tradução do título do filme. Este filme não deveria ter outro nome além de THE SOUND OF MUSIC. Só porque é o melhor musical? Não. É porque tudo nesse filme acontece em torno da música além de ser uma lição, uma aula para muitos músicos por aí. A começar com o número de crianças, sete. Tem algo místico aqui? Não, todos
sabem que são sete as notas musicais (dó, ré, mi, fa, sol, la, si) e que todo piano é organizado por oitavas. "Ué, e daí?" Estão esquecendo do oitavo elemento musical do filme? Sim, a própria Maria. Escute a canção "Dó, Ré, Mi" e me diga se nada mais é do que uma aula de música:


Rodgers e Hammerstein são verdadeiros gênios, incrivelmente conhecidos apenas por esta obra em particular. Você pode ver que eles tem outros títulos de sucesso, inclusive com a participação de Julie Andrews, mas quando se fala nesses dois nomes o que vem na mente logo de cara é The Sound of Music. Uma trilha sonora brilhante e impecável de dar inveja. Vou outros destaques de músicas, interpretaçoes e cenas importantes do filme:
A primeira cena de fazer chorar do filme é quando o Capitão retorna e encontra seus filhos cantando. Ele não acredita e fica olhando de, fora da sala, perplexo. Aí podemos a ver a grande interpretação de Christopher Plummer (membro da academia, não ganhou nenhum oscar a não ser de homenagens), um ator excelente. Podemos ver pelo seu semblante o seu interior mudando e algo dentro dele crescendo de tal forma que ele transborda e adentra a sala cantando "The Sound of Music" junto com seus filhos, que assustadíssimos param de cantar, pois a maioria das crianças nunca tinha visto o pai cantando. Então nós temos uma cena espontânea no filme (não estava no roteiro): Quando a canção acaba, fica um silêncio entre os olhares do Pai sorrindo para seus filhos e as crianças, tanto personagens quanto atores, não aguentam e partem para um abraço coletivo com o pai. É, sem dúvida alguma, a melhor cena do filme.
A música mais difícil, no aspecto técnico, do filme é "Climb Every Mountain". Ela foi escrita especialmente para Peggy Wood (Madre Superiora). E há poucas pessoas no mundo que possam executar essa música com a perfeição de Peggy Wood, dona da voz com o melhor vibrato do mundo. Essa música é executada duas vezes no filme. Na cena onde a Madre superiora fala pra Maria voltar a mansão, onde Peggy Wood canta essa canção como solo. E é a música que fecha o filme na voz da Madre e o coral de freiras. O filme termina com eles escalando a montanha, "Climb Every Mountain", entendeu??
Outra cena de ótima atuação acontece em meio a fuga, quando a família está escondida no convento, o jovem Rolfe (Daniel Truhitte) os encontra e não avisa de imediato hesitando ao apelo de Liesl e do Capitão. A família então sai e só ficam o Capitão e Rolfe batendo um papo. Rolfe chega a apontar uma arma para o capitão. O Capitão diz que ele é apenas um garoto e toma a arma dele. O jovem então fica envergonhadíssimo e o Capitão solta uma frase que não deveria ter dito: "Você nunca será um deles". Orgulhoso diante do desafio, o jovem soa seu apito para avisar que os encontrou, fazendo com que a família Von Trapp saia fuja na correria. Uma cena tensa.
Não posso deixar de fora a abertura do filme com o solo de Julie Andrews cantando a canção-tema "The Sound of Music". São imagens de várias paisagens de Salzburgo em câmeras aéreas e montanhas e colinas sem fim. Quando vemos uma pequenina Julie Andrews rodando numa colina e uma edição de cenas muito boa pra época. Um close aéreo e um corte para o fechado no rosto de Julie Andrews. Nesse momento, o crescimento da música já tá te fazendo arrepiar, quando ela começa a cantar então é delirante! Gostaria de colocar o vídeo dessa introdução para vocês verem aqui, mas tal vídeo não existe no YouTube, uma pena.

Esse filme é obrigatório para músicos e eu recomendo a todos que gostem de um bom musical e uma ótima história de amor e felicidade, que inclusive é baseada em fatos reais, se você não sabe. É, a Família Von Trapp existe! hahaha
Fiquem com o trailer e boa sessão!


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Sobre o autor

Leo Jansen
Músico, Artista, Carioca, Daltônico, Nômade, Ex-cabeludo, Seminarista, Bloguero do Barco a Remo e é claro, Cinéfilo. Perfil Completo

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